domingo, 28 de outubro de 2007

Ana e o Mar - O Teatro Mágico




*Ana e o Mar*


- O Teatro Mágico -

Composição:
Fernando Anitelli


Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar


Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol


Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar


Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar


Ana e o mar... mar e Ana
Histórias que nos contar na cama
Antes da gente dormir


Ana e o mar... mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar


Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor... Ana e o mar


[...]



**Ai...essa música é liiiinda demaisi da conta, eu amei =)
Eu adoro Teatro Mágico, non largo maisi!

Como podemos perceber na letra, o mar se apaixona por ana,
que mesmo sabendo da impossibilidade desse amor... apaixona-se!
E é assim mesmo, porque a gente nunca sabe por quem vai gostar...
Quando percebemos... já é tarde pra voltar atrás!

Entrada Para Raros - T.M.




" O Teatro Mágico: entrada para raros "


(Fernando Anitelli)


No inicio era o verbo... e o verbo era Deus...
[ e o verbo estava com Deus,
e já não eram sós , ambos conjugavam-se entre si,
discutiam quem seria a primeira e a segunda pessoa,
quem era verbo... quem era Deus,
a ação e a interpretação... quem era a parte e quem era o todo.
Deus (o pai, o filho e o espírito santo), ]
[ era também o verbo (regular e irregular)
e todos questionavam-se sobre quem seria o sujeito ]
[ e quem seria o predicado, quem se conjugaria no pretérito e quem renunciaria ]


[ a forma "mais que perfeita"!
Deus era o verbo e o verbo era Deus,
conjugavam-se de maneira irregular... explicitando suas diferenças,
reconhecendo os fragmentos e os complementos buscavam a medida certa
E assim... reconheceram-se uno...
Eu deus, tu deus, ele deus, nós deus, vós deus... eles deus
Somos dotados deste curioso poder, ]
[ mudamos nosso significado, nosso signo,
nosso comportamento e nossos conceitos
(que por sua vez chegam ate nós depois de se modificarem
muitas e outras vezes!)
temos uma ferramenta e tanto nas mãos, e nos pés...
Temos acorrentados nossos motivos de sobra pra relaxarmos ]
[ e acomodarmos com a vida que levamos agora...


O teatro mágico é o teatro do nosso interior...
a história que contamos todos os dias ]
[ e ainda não nos demos conta...
as escolhas que fazemos em busca dos melhores atos, ]
[ dos melhores sabores, das melhores melodias e dos melhores personagens ]
[ que nos compõem, as peças que encenamos e aquelas que nos encerram...
... nosso roteiro imaginário é a maneira improvisada ]
[ de viver a vida...
de sobreviver o dia, de ressaltar os tombos e relançar as idéias,
o teatro nosso de cada dia...

Zaluzejo - O Teatro Mágico



*Zaluzejo*


- O Teatro Mágico -
Composição: Fernando Anitelli


Ah eu tenho fé em Deus... né?
Tudo que eu peço ele me ouci... né?
Ai quando eu to com algum pobrema eu digo:
Meu Deus! me ajuda que eu to com esse problema!
Ai eu peço muito a Deus... ai eu fecho meus olhos... né?
eu Deus me ouci na hora que eu peço pra ele, né?
Eu desejo ir embora um dia pra Recife
não vou porque tenho medo de avião, de torro...de torroristo
ai eu tenho medo né?
Corra tudo bem... se Deus quiser... se deus quiser..."


Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"eu sou uma pessoa muito divertida"


Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"não sei falar direito"


Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"não sei falar"


Tomar banho depois que passar roupa mata
Olhar no espelho depois que almoça entorta a boca
E o rádio diz que vai cair avião do céu
Senhora descasada namorando firme pra poder casar de véu


Quando for fazer compras no Gadefour:
Omovedor ajactu, sucritcho, leite dilatado, leite intregal,
Pra chegar na bioténica, rua de parelepídico
Pra ligar da doroviária, telefone cedular
Quando fizer calor e quiser ir pra praia de Cararatatuba,
cuidado com o carejangrejo
Tem que ta esbeldi, não pode comer pitz, pra tirar mal hálito
toma água do chuveiro
No salão de noite, tem coisa que não sei
Mulé com mulé é lésba e homi com homi é gay
Mas dizem que quem beija os dois é bixcional...
só não pode falar nada,
quando é baile de carnaval


Pra não ficar prenha e ficar passando mal, copo d'água
e pílula de ontemproccional
Homem gosta de mulher que tem fogo o dia inteiro,
cheiro no cangote, creme rinsa no cabelo
Pra segurar namorado morrendo de amor
escreve o nome num pepino e guarda no refrigelador,
na novela das otcho, Torre de papel,
Menina que não é virge, eu vejo casar de véu


Se você se assustar e tiver chilique,
cuidado pra não morrerde palaladi cadique
Tenho medo da geladeira, onde a gente guarda yogute,
porque no frio da tomada se cair água pode dá cicrutche
To comprando um apartamento e o negócio ta quase no fim
O que na verdade preocupa é o preço do condostim
O sinico lá do prédio, certa vez outro dia me disse:
Que o mundo vai se acaba no ano 2000 é o que diz o acalipse


Tenho medo de tudo que vejo e aparece na televisão
Os preju do Carajundu fugiram em buraco cavado no chão
Torrorista, assassino e bandido, gente que já trouxe muita dor
O que na verdade preocupa é a fuga do seucrostador
Seucrosta quem não tem dinheiro, quem não tem emprego
e não tem condução
Documento eu levo na proxeca porque é perigoso carregar na mão


Mas quando alguém te disser ta errado ou errada
Que não vai S na cebola e não vai S em feliz
Que o X pode ter som de Z e o CH pode ter som de X
Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz


"e eu sou uma pessoa muito divertida...
eles não inventavam nada...
eu gostava de inventar as coisa
não sei falar direito...
inventar uma piada, inventar uma palavra, inventa uma brincadeira...
não sei falar
me da um golinho... me da um golinho..."


E com muito prazer que eu convido agora todos aqueles
que estão ouvindo esta canção
Para entoar em uníssono o cântico: Omovedor, Carejangrejo
Vamos aquecer a nossa voz cantando assim:
Iô,iô,iô. Iô,iô,iô,iô, eu digo:
Omovedor, Carejangrejo, Omovedor, carejangrejo...
Omovedor!"omovedor... carejangrejo... só isso que eu sei falar!"



Abandono

Em termos de mitos sagrados o abandono refere-se ao momento em que o indivíduo deixa de lado o ponto de vista limitado do Ego, do ponto de vista do abandono das “proibições” e banalidades, e de modo a ganhar uma perspectiva Arquetípica ou Divina. Do ponto de vista psicológico, trata-se de uma perspectiva nova em que a vida é vivida em função da profundidade da Alma. Segundo Tom Chetwnd na sua obra Dicionário dos mitos sagrados afirma: Dioniso (abandonado por sua mãe) é o Deus do Vinho e Senhor do Abandono. Os domínios do Ego governados por Apolo podem ser trocados pelo mundo muito diferente da Alma. Os bacchoi eram os seus seguidores que se entregavam ao abandono. Shiva está associado ao abandono e à obscenidade. Os bhaktas eram os seus seguidores auto-abandonados. Mas em qualquer religião viva há um tempo para o abandono à iniciativa e à inspiração Divina. Na psicologia, o reconhecimento dos limites humanos e a permissão dos poderes que estão para além deles, também desempenham um papel importante.”



(Chetwnd, Tom. Dicionário do mitos sagrados. Lisboa, Planeta editora, s.d., p.15)

Alma

Alma Segundo Tom Chetwynd a alma é tudo o que se encontra para lá das fronteiras do Ego consciente. Este autor defende ainda que certos sonhos são apenas uma parte individual de algo muito mais vasto, a que chama de subconsciente coletivo, ou a Alma coletiva. A Alma humana, desenvolvida ao longo de milénios e passada de geração em geração. A alma é uma corrente indestrutível de experiência viva, o fluido de vida que continuamente assume novas formas. A alma humana é apenas uma das partes da alma universal, ou do mundo da alma, o fluido infindável de energia, consciente e subconsciente, que é capaz de saber o número exato de penas que os pássaros necessitam para voar. A alma anima, é o processo dinâmico, a qualidade de movimento e de vida do mundo, e a energia é o primeiro princípio básico do universo. Existem vários mitos que incidem sobre as questões da alma: O “outro mundo”; “Proteu”, e todos os feiticeiros, bruxas e figuras que mudam de forma, assim como o “génio da lamparina”, pois estes mitos invocam as mutações da alma; a “borboleta e a mariposa” que são símbolos deste reino da alma mais leve e esvoaçante; O “anima” de Jung como personificação da alma, como Psique a mitologia grega, cuja história pode ter sido baseada nos mistérios de iniciação de Isis no antigo Egito; os “jardins” (como o do paraíso) que representam os processos de geração, crescimento, transformação e decadência que acontecem na alma; “o espelho e a pequena lagoa”, porque a alma está cheia de imagens e reflexos miríades.


(vide: Tom Chetwynd. Op.cit. p.18)



Diálogo

E você, por que desvia o olhar?


(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


— "Ah. Porque eu sou tímida."


- Rita Apoena -

Paredes...

Ao escrever nas paredes,
uma lasca de massa fina caiu,
cortou o verso pela metade.
Não reclamei: minha parede sabe contar sílabas poéticas.



- Rita Apoena -

Sobre a prisão

Se é para estar preso,
que seja entre quatro poemas.


- Rita Apoena -

A Moça

- Moça


Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram... mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?


[ - Rita Apoena - extraído do blog de Rita Apoena...]

Coração...

- limão.


Têm dias que eu esfrego bem o meu coração dolorido durante o banho,
com uma esponja bem macia e um sabonete cheiroso, para aliviar.


Hoje fiz isso, com sabonete de limão.
Mas a dor continua aqui.


...